O CAMPO Arte Contemporânea celebra uma década de existência com mais uma edição do Mormaço, um ajuntamento de desejos, práticas e experimentações que reafirma o compromisso do espaço com a criação indisciplinar, o convívio e a autonomia artística. Ao longo dos últimos 10 anos, o CAMPO se consolidou como um território híbrido e pulsante, onde o individual só faz sentido quando colocado em relação, em soma e partilha.
Nesta primeira edição do ano, o Mormaço ativa o que tem de mais essencial: criar, inventar, fabular, discutir e se juntar. A programação propõe encontros entre artes visuais, performance, ações coletivas e processos de residência artística, sempre em diálogo direto com o entorno e com as urgências do presente. Em oposição ao mainstream e às lógicas institucionais rígidas, o CAMPO segue apostando na colisão de linguagens e na criação de ambientes férteis para pensar comunidade, compartilhamento e agenciamento.
O Mormaço de Janeiro 2026 é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura, com apoio do Ministério da Cultura – Governo Federal, conforme as diretrizes da política de fomento à cultura voltadas à promoção da diversidade, da autonomia dos agentes culturais e do acesso democrático às ações culturais. A semana de abertura do Mormaço de Janeiro reúne trabalhos que tensionam corpo, presença e fabulação, com apresentações noturnas e ações coletivas.
Na quarta-feira, 21 de janeiro, às 19h, o público acompanha Um cadáver que arrisca se levantar, de Marcelo Evelin, em colaboração com a Demolition Incorporada. A obra inaugura o Mormaço evocando estados de resistência, insistência e reinvenção do corpo em cena, marcando o tom político e sensível da edição.
Nesta quinta-feira, 22 de janeiro, às 19h, a programação segue com a performance 88 Kg, de Bruno Moreno. O trabalho investiga peso, matéria e presença a partir do corpo como campo de tensão e memória. Em cena, Bruno constrói uma experiência que convoca o público a refletir sobre limites físicos e simbólicos, explorando o corpo como território de fricção entre esforço, resistência e vulnerabilidade. A apresentação se insere na proposta do Mormaço de ativar experiências que não se encerram no espetáculo, mas se desdobram em afetos e reflexões compartilhadas.
Na sexta-feira, 23 de janeiro, também às 19h, é a vez de Fernanda Silva apresentar Veado de quatro, performance que atravessa questões de identidade, desejo e normatividade, acionando o corpo como linguagem política e poética.
O sábado, 24 de janeiro, começa cedo, das 8h às 11h, com o ManaManchão: mutirão verde, ação coletiva conduzida por João Marcos, Gui de Areia e Regina Veloso, do Atelier Ateliê, em parceria com a Revoada. À noite, às 19h, a programação retorna ao campo performático com Favor Divino, de Andreia Pires e Marcelo Evelin, trabalho que dialoga com espiritualidade, esforço coletivo e entrega.
Paralelamente, entre 19 e 29 de janeiro, acontece a Residência Macacal, com Jamires Martins e Maurício Pokemon, do Estúdio Debaixo, aprofundando processos de criação e convivência no CAMPO.
Programação da próxima semana
A celebração dos 10 anos do CAMPO segue intensa na semana seguinte, com ações que misturam performance, publicação independente, audiovisual e formação.
Na sexta-feira, 30 de janeiro, a partir das 19h, acontece o Desfile Performático forgive Gui – 10 anos Campo edition, acompanhado do lançamento do Zine Forgive Gui, pelo Atelier Ateliê. Em seguida, às 20h, o público é convidado para Uma noite de Skate, com mostra de vídeos e roda de conversa, ampliando o diálogo entre arte, cultura urbana e memória coletiva.
No sábado, 31 de janeiro, das 8h às 11h, o ManaManchão: mutirão verde retorna, reforçando o cuidado com o espaço e o entorno. À tarde, das 14h às 18h, acontece a Oficina Lamento aos Pixels, com Xuxu Kamei, e, às 19h, o lançamento do Fanzine Macacal, de Jamires Martins e Maurício Pokemon, encerrando a programação com mais um gesto de partilha e circulação de ideias.
O Mormaço de Janeiro reafirma o CAMPO como um lugar onde práticas e conceitos são lançados ao ar, em um malabarismo material e subjetivo que aposta no paradoxo: ao desaparecer das formas fixas, talvez seja possível tatear melhor o mundo que se inventa coletivamente.