Anunciação da Luta”, vídeo-instalação do artista visual Maurício Pokémon, estará em mostra aberta ao público a partir de 13 de dezembro, em Teresina

11 de dezembro de 2025 por Leandro Soares

A vídeo-instalação “Anunciação da Luta”, um dos desdobramentos do projeto Árvore que Arranha, será aberta ao público no dia 13 de dezembro, às 19h, no Campo Arte (Teresina–PI). A obra propõe uma imersão audiovisual em gestos de preparação para uma batalha historicamente silenciada. A entrada é gratuita e segue aberta até final de janeiro de 2026.

Para além de documentar, pode também a Fotografia imaginar? É dessa inquietação que nasce “Anunciação da Luta”, uma vídeo-instalação do fotógrafo e artista visual Maurício Pokemon realizada com a Comunidade Resolvido, zona rural de Campo Maior-PI. A mostra é a continuidade da pesquisa iniciada nos projetos Emergência Popular e Árvore que Arranha, e propõe uma imersão sensível e política com outras perspectivas sobre a Batalha do Jenipapo.

Anunciação da Luta convida o público a mergulhar em uma história construída a partir de fabulações, escutas comunitárias e memórias vivas. É um projeto contemplado pelo edital nº01 Torquato Neto, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura (SECULT), com recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo-LPG.

“A participação da comunidade, como dona Lucimar, seu Zeca, dona Livramento, seu Domingos e Maria Rita, traz à tona essas pessoas, que agora participam ativamente, recontando e anunciando imagens simbólicas através de suas tradições manuais com carnaúba. Os vídeos trazem movimentos de iminência de uma luta que é cotidiana, valiosa, e acontece há gerações em meio a mata dos cocais”, afirma Maurício.

A ação traz conteúdos com audiodescrição, acessibilidade arquitetônica, comunicacional e atitudinal, garantindo que públicos de pcds possam experienciar a obra em equidade.

Sobre a comunidade

A comunidade Resolvido, localizada em uma área de transição da caatinga e mata dos cocais marcada pela memória da Batalha do Jenipapo, mantém viva uma relação ancestral com a carnaúba. Por gerações, seus moradores colheram o pó e trabalharam a palha, práticas tradicionais que sempre fizeram parte do cotidiano local.

Em 2020, após denúncias de trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da carnaúba, mulheres da região se organizaram em um projeto —  executado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) —  que visava transformar esse saber tradicional em renda digna. Hoje, 75 mulheres mantêm vivo o trançado da palha, produzindo peças que unem tradição e geração de renda. A seleção do Curicacas para a Expoartesanías 2024, na Colômbia, mostra como esse saber ancestral continua pulsando forte e movimentando a economia local.

Secretaria de Estado de Cultura do Piauí - Secult
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