Paciência, mãos leves e olhar preciso são características presentes no dia a dia dos profissionais que se dedicam à restauração de bens móveis, como esculturas e pinturas, cujos traços contam um pouco da história de cada cidade. No Piauí, a Oficina de Restauração e Conservação de Bens Culturais e Históricos atua há 29 anos nessa área e faz parte da Secretaria Estadual de Cultura – Secult. A equipe, composta por quatro pessoas, trabalha pela preservação do patrimônio e da identidade cultural do Estado.
Na supervisão da equipe está o artesão e artista plástico Raimundo Soares Cavalcante, ou mestre Dico, como é mais conhecido. Ele já tem 27 anos de oficina e uma coleção de peças restauradas que já passaram por suas mãos. “Uma das primeiras peças foi a imagem de São José, que pertencia à escritora Genu Moraes. A imagem tinha mais de um metro e estava bem destruída. Conseguimos recuperá-la”, lembra, ao explicar que o oficina também recebe peças de acervos particulares. “Também é uma forma de ajudar na manutenção da oficina. Assim como há casos em que só pedimos o material necessário”, justifica mestre Dico.

Na mesa onde ele e a equipe trabalham o desafio do momento são as esculturas de santos que fazem parte da primeira igreja do município de Jerumenha. “Fizemos o Santo Antônio e estamos restaurando outras imagens, todas de madeira. Acreditamos que essas imagens tenham mais de 200 anos”, diz o artesão. Em Teresina, um dos trabalhos realizados atualmente por mestre Dico foi no Clube dos Diários. O espaço foi todo restaurado. Os detalhes do forro e do piso de madeira foram todos refeitos pelo artista plástico.
“Só no forro trabalhamos mais de um mês para recuperar a parte que havia caído. No piso lixamos para encontrar a cor original da madeira. Nossa intenção era resgatar essas características originais”, explica mestre Dico. No Arquivo Público do Piauí, dez armários de madeira estão sendo restaurados. A oficina ainda dedica uma atenção especial ao acervo do Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes, atuando na restauração, bem como dando orientações sobre a conservação do acervo. Entre os bens já restaurados estão telas e molduras centenárias.
Ao chegar na oficina, que funciona na sede da Secult, alguns objetos precisam ser refeitos pelas mãos da equipe, composta também por Paula Borges, Maria Santos Nery e Maria dos Remédios Andrade. A limpeza é uma das etapas presentes nesse processo. Muitas vezes é preciso raspar o objeto para descobrir a cor original e reproduzir traços que se perderam com o tempo e só estão presentes numa pequena parte da peça.
HISTÓRICO – Criada em 1987 a Oficina de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis tem como objetivo a preservação do patrimônio e da identidade cultural piauiense, atender às demandas de restauração do acervo do Museu do Piauí, orientar a conservação daquele acervo e, dentro das suas possibilidades, receber peças de outros museus da Secult. Também é finalidade da oficina a restauração de obras particulares e a pesquisa na área de restauro, além da realização de minicursos sobre conservação do acervo museológico.